quarta-feira, 28 de abril de 2010

Antiga conhecida

A garota estava parada observando de forma desesperada aquela figura já conhecida de outras lembranças e sonhos que a assombrava. Mas agora era diferente, ela estava completamente apavorada e destruída pelo o que estava acontecendo naquele momento, o vermelho escarlate transbordava cada vez mais dele, em quanto ele já estava claramente desacordado. Ela estava perdida, não conseguia entender os motivos daquilo, nada parecia fazer sentido, o medo e a dor que a consumia não a deixava pensar. A morte por sua vez, não parecia nem um pouco preocupada com aquele momento, apesar de está um pouco surpresa pelo o que tinha acontecido, se mostrava claramente tranquila em quanto terminava o trabalho na qual ela era designada, e em nenhum momento retribuiu o olhar daquela que a observava. O silêncio da cena foi quebrado quando a garota gritou em meio de seus lamentos:
- Isso não está certo. Não era pra ser ele.
Entretanto, a morte não pareceu se importar. E Lucy novamente gritou:
- Por que ele? Era pra ser a mim, não ele.
A morte virou-se lentamente para ela e disse:
- Você tem certeza disso?
- Claro que eu tenho, no sonho era a mim. Espera meus sonhos podem errar? Então meus sonhos poderiam esta errados o tempo todo? - Lucy hesitava
Neste exato momento vários tipos de lembranças se passaram pela sua cabeça, e uma exatamente a paralizou.
Era um dia chuvoso, Lucy estava aparentemente fria e segura do que estava para contar. E continuou com esse ar de frieza mesmo depois que ele descontroladamente gritava:
- Não, não, não! Tem que ter um jeito, isso não pode, eu não posso, a gente tem que fazer alguma coisa. Não. Me conte como vai acontecer, eu posso impedir.
- Não você não pode, você sabe muito bem, que com todas as outras pessoas, eu tentei impedir, achei que podia burlar, que podia engana-la, mas não, o único jeito da morte parar é... bom, você sabe. - Ela respondia no mesmo tom. Como se não houve-se importância.
- E se seu sonho não acontecer dessa vez, como foi com todos os outros? E se você não morrer? E se foi apenas um pesadelo? - Ele perguntava, com o ultimo fio de esperanças nos olhos.
- Você sabe que não foi apenas um pesadelo. Nunca tenho pesadelos desse tipo. Quer dizer, sempre tenho, mas todos eles se tornam reais. - ela começara a tremer, mas tentou se controlar em frente ao medo que a tomava.
A lembrança foi interrompida pela morte, que com sua voz áspera e seca, dizia:
- Seus sonhos, nunca erram. É um dom divino, trágico, mas divino.
- Então por que ele, e não eu? - Lucy perguntava entre os soluços.
A morte então andou um pouco para frente, e fez imagens aparecerem na neblina que se instalava no local onde os três estavam. No principio aparaceu apenas ele chorando, mas logo após apareceu a morte e ele selando um pacto obscuro. Assim a lembrança sumiu em direção aos ventos. A morte a olhou com um certo ar de piedade. E ela nesse momento reviveu em seus pensamentos a melhor lembrança que ela tinha guardada em si.
Era um dia calmo, Lucy e ele estavam na praia, vendo o pôr do sol, até que ela fixou seus olhos nos olhos verdes dele e perguntou:
- Você me ama?
- Se eu te amo? - ele riu com tom de deboche - Lucy você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. - Falava seguramente em quanto a acariciava o rosto.
- Como você sabe disso? - Ela perguntou com um certo tom de insegurança.
- Eu sei disso, porque para te ver feliz, para te ver bem, para te ver viva, eu daria a minha vida pela sua.

E em meio a lembrança dessas palavras, Lucy via o belo garoto de olhos verdes, que tinha entregue sua alma para não sentir a dor de perde-la sendo levado embora para sempre, pela sua mais antiga conhecida: A morte.

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